Bem-vindos ao tune-O-matic. Sintam-se a vontade para opinar, criticar e sugerir.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

This Was - Jethro Tull |Rock|


This Was  -  Jethro Tull    |Rock|

Um álbum de estréia que, quarenta e dois anos depois de seu lançamento, continua arrebanhando fãs para para o lendário Jethro Tull.

O Jethro começou como uma banda de blues. Muito disso se deve ao fato do vocalista Ian Anderson ter recolhido algum espólio no fim da Graham Bond Organization (uma das primeiras bandas de rhythm 'n' blues da inglaterra).

Mas Anderson, como o futuro diria, tinha outras intenções.


Fortemente influenciado pelo jazz e pela música folclórica inglesa, o vocalista/flautista se uniu ao guitarrista Mike Abrahams (guitarra), Clive Bunker (bateria) e Glenn Cornick (baixo) e passou a praticar seus experimentos e devaneios sobre uma base coesa de indefectível blues rock.

O resultado foi This Was, o primeiro da extensa discografia da banda de Ian Anderson. Um dos grandes discos da história do rock, This Was oferece a oportunidade de ouvirmos um Jethro Tull cru, antes que as experiências de Anderson ajudassem a erguer os alicerces do art rock ou rock progressivo.

My Sunday Feeling, Beggar`s Farm e A Song For Jeffrey; se só houvessem estas três faixas no disco, este já seria um clássico.  
Some Day The Sun Won't Shine For You e It`s Breaking Me Up são blues. Pelo menos o que se entende por blues, depois do Cream.
Move On Alone, Round e Serenade To A Cukoo (do jazzista Roland Kirk), dão a dica para o estaria por vir no universo andersoniano.
Não nos esqueçamos da extravagância de Mike Abrahams - Cat's Squirrel - sim, Hendrix e Clapton são uma grande influência, mas imaginar um som desse em 1968. . . talvez sejam faixas como essa que fazem alguns (eles existem) pensarem no Jethro Tull como uma banda de heavy metal.

Discoteca básica.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Lola Versus Powerman And The Moneygoround - The Kinks |Rock|


Lola Versus Powerman And The Moneygoround  -  The Kinks    |Rock|

Álbum conceitual lançado em 1970 que satiriza o mundo da industria musical - um must have para fãs do, assim chamado, classic rock.


Álbuns conceituais ficaram famosos nos anos 70 sob o apelido de Rock Opera ou Ópera Rock
Discos como Tommy e Quadrophenia do The Who e The Wall e The Final Cut do Pink Floyd tinham grandes ambições - temas fortes, contestações. . .  eram pensados como um grande grito de rebeldia. Óperas a altura das expectativas e ouvidos da geração do pós-guerra.

Os Kinks, que ainda tentavam se livrar da "imagem anos sessenta" deixada pelo hit You Really Got Me, vinham enfrentando problemas legais por toda a parte. Para se ter uma idéia, a banda havia sido banida de excursionar os E.U.A. - uma setença de morte para qualquer artista daquela cena.

A saída foi "Lola Versus Powerman And The Moneygoround". Uma mini ópera que tinha como ponto central meter a boca no mundo e ridicularizar produtores, gravadoras, editores, jornalistas, empresários, enfim - todos os personagens e situações do mundo da música daqueles tempos. Longe de ser algo grave, pesado ou intelectualizado, o álbum é puro deboche.

Musicalmente também houve mudanças. Aqui o Kinks enterra de vez a swingin London e parte para uma linguagem que seria explorada fortemente na década seguinte. O recém nascido hard rock se mistura com o folk, country e até a tradicional música de salão britânica. Tudo isso forma uma salada coesa e certeira.

A brincadeira do Kinks parece ter funcionado e Lola e Apeman se tornaram grandes hits. Mas tem muito mais - Strangers e The Contenders merecem atenção especial. O clima mais debochado fica com Denmark Street e The Moneygoround.E faço um convite especial aos fãs de White Stripes e companhia para ouvirem com atenção Top Of The Pops

Não se pode deixar de notar as similaridades. Badfinger, Beatles e Rolling Stones estão por toda a parte.

Grande álbum !

quarta-feira, 28 de abril de 2010

That's What I Want !! |Notícias|


That's What I Want !!         |Notícias|

A revista britânica NME publicou em seu site uma lista dos 50 mais ricos na industria da música.
Dentre os despreocupados encontram-se :

Pete Townshend (The Who) - 40 milhões de libras  ( libras !!!)
Nick Mason (Pink Floyd) - £50 milhões
John Deacon (Queen) - £60 milhões
David Gilmour (Pink Floyd) - £78 milhões
David Bowie - £100 milhões
Mick Jagger - £190 milhões
e o coitado do Paul McCartney com meros £475 milhões.



E a minha mãe ainda diz que não dá dinheiro. . .

A lista completa você encontra aqui.



 por: Alexandre H Calamari 
fonte: NME Magazine

Emotion & Commotion - Jeff Beck |Rock|


Emotion & Commotion  -  Jeff Beck    |Rock|

Na linha do tempo, depois de um certo período até os melhores vinhos viram vinagre, como é o caso de Rod Stewart, por exemplo. Jeff Beck, por outro lado, do topo de seus 66 anos de idade, continua dominando sendo o mais radical, visceral, inspirado e inovador dentre os mestres da guitarra.

Emotion & Commotion chegou as lojas no dia 13 de abril de 2010. A expectativa era grande, principalmente após o excelente antecessor  Performing This Week Live At Ronnie Scott's Jazz Club. Também aquecia as apostas o fato de Beck não lançar um álbum de estúdio desde o eletrônico Jeff de 2003.

Logo após o lançamento de Jeff, o próprio guitarrista brincou com a imprensa dizendo:"Não comprem esse CD, é um lixo ! Nunca mais faço um CD com um computador na minha vida !!

É.... não fez mesmo. Desta vez o computador foi substituído por uma orquestra de 64 peças + Vinnie Colaiuta (bateria), Tal Wilkenfeld (baixo) Jason Rebello (teclados), Joss Stone (vocais), Imelda May (vocais) entre outros  + os produtores Steve Lipson ( Yes, Paul McCartney, Annie Lennox)e Trevor Horn (Yes, Seal, Mike Oldfield, Danny Elfman).

Tem muita gente boa por ai, mas Jeff é um caso a parte. A não ser ele, quem poderia juntar blues, opera, pop, rock e jazz num mesmo CD de 10 faixas ?

Corpus Christi Carol de Benjamin Britten abre o CD. Quando você ouve, fica difícil acreditar que o sujeito passa mais horas enfiado no capô de um Corvette '56 do que dedilhando sua Stratocaster. Na seqüência, Hammerhead finalmente faz jus ao mecânico; e que mecânico.
Never Alone, com sua incrível melodia vocal, é simples e genial. E se até agora você segurou a emoção, a versão bluesy de Over The Rainbow pode te ajudar a se libertar.
Com I'll Put A Spell On You, Jeff paga seu costumeiro tributo ao seus dias de fedelho londrino.
Serene e There's No Other Me trazem o modernismo afiado e sofisticado, sempre presente em seus álbuns. Lilac Wine vem trazer um alento, um momento de paz na genialidade das frases beckianas em contraste com a voz doce de Imelda May.
Tudo isso para preparar a bomba: "Nessum Dorma". Composição de Giácomo Puccinni e ponto central do repertório do grande Luciano Pavarotti. Essa faixa dispensa comentários.
O CD termina com Elegy For Dunkirk do compositor italiano Dario Marianelli. A faixa que faz parte do filme Atonement (no Brasil Desejo e Reparação), fecha o mais eclético dos álbuns do guitarrista.
Jeff Beck não precisa provar mais nada. Se para Eric Clapton ele é um gênio, não sou eu que vou discordar.

Mas algo me diz que o recém premiado Jeff  tomou gosto pela brincadeira e Emotion & Commotion me parece feito sob encomenda para trazer um segundo Grammy para sua prateleira.

Mas não se assuste. Mesmo um tanto empolado e simpático, Emotion & Commotion  se ergue sobre as fundações toscas, ruidosas e geniais de um dos indivíduos que fizeram e fazem da guitarra o que ela é.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Band On The Run |Notícias|


Band On The Run    |Notícias|

Paul McCartney anunciou oficialmente sua quebra de contrato com a EMI. Ao assinar com a independente Concord Music Group, o ex-beatle declarou:
"Estou sempre procurando novas maneiras e oportunidades de levar minha música ao público e a Concord divide essa paixão comigo,"

O novo selo vai cuidar da distribuição de todo o material solo do cantor, incluíndo seus álbuns com a banda Wings, formada em parceria com sua falecida esposa Linda McCartney.
O material dos Beatles, continua com a EMI.

A parceria vai estrear em agosto com o re-lançamento do álbum de 1973 do Wings  -  'Band On The Run' (piadinha típica de Paul McCartney).
A nova versão deve vir com material extra, como faixas bônus e encarte elaborado.

É esperar pra ver.




 por: Alexandre H Calamari 
fonte: Uncut Magazine

One Take Radio Sessions - Mark Knofler |Pop-Rock|


One Take Radio Sessions  -  Mark Knofler    |Pop|

Nada de novo ou revolucionário. Nenhum grande hit. Longe de ser uma obra prima. Apenas 8 canções despretensiosas, intimistas, elegantes, cheias de alma e honestidade.

O escocês Mark Freuder Knofler, ou apenas Mark Knofler é um grande guitarrista que se tornou uma celebridade imediata quando, em 1978, estreou com sua banda Dire Straits.
Famoso pelos hits de sua banda, com sua voz nasalada e seu distinto toque na guitarra, Knofler, que sempre teve seus álbuns produzidos numa sonoridade pop-clichê, convida seus ouvintes a um novo caminho.

One Take Radio Sessions, lançado em junho de 2005, foi feito num momento em que o guitarrista ainda se recuperava de um quase fatal acidente de motocicleta, ocorrido havia um ano e meio.
É provável que a experiência tenha deixado o músico num estado contemplativo e reflexivo, e é isso que faz de One take Radio Sessions algo especial.
Trocando em miúdos, Mark Knofler revisita suas raízes. Blues e Country e um pouquinho do pop aqui e ali. Tudo muito bem amarrado.

Gravado ao vivo - em estúdio (todos tocando juntos, no ambiente controlado do estúdio) sem muitas adições ou reparos, o álbum soa rústico e real, como se você estivesse na sala entre os músicos. A banda, de primeira linha, conta com músicos do universo country como o guitarrista Richard Bennett (Johnny Cash, Billy Joel, George Strait, Neil Diamond, Steve Earle, entre outros) e o baixista Glenn Worf (Brenda Lee, Joan Baez, George Strait, Shania Twain, entre outros).

O universo intimista das sessões é o ambiente perfeito para que a guitarra de Mark Knofler soe como nunca. Nas mãos de Knofler, o instrumento urge sua voz rouca e espalha pelas canções um lamento que não pode ser traduzido em palavras. Convenhamos, isso é o que ele sempre fez de melhor, mas aqui - tudo parece mais . . .   real.
Song For Sonny Liston e Donegan`s Gone mostram o que Knofler deveria ter feito em toda sua carreira. The Trawlerman`s Man é mais próximo das famigeradas baladinhas do Dire Straits. Um discreto toque latino tempera Rudiger. Back To Tupelo também merece ser lembrada.

One Take Radio Sessions é um ótimo álbum, de um artista maduro. Certamente, vai encantar fãs de todos os estilos.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Evil Woman - The Best Of Crow - Crow |Rock|


Evil Woman - The Best Of Crow  -  Crow    |Rock|

Coletãnea desta banda pouco conhecida; crua e rústica, mas que em sua curta existência deixou uma marca que influenciaria ícones como Black Sabbath, Deep Purple, Jeff Beck Group e outros.


O Crow, foi fundado em 1967 pelo vocalista David Wagner em Minneapolis U.S.A.. Além de David, a formação da banda contava com o guitarrista Dick Wiegand e seu irmão Larry Wiegand no baixo, Kink Middlemist no órgão e o notável baterista Harry Nehls.


A história da banda não difere de muitas outras que, apesar da comprovada competência, emplacou apenas um hit e se tornou financeiramente desinteressante para as sensíveis gravadoras.
O fato desse único hit Evil Woman ter surgido como cover no primeiro álbum do Black Sabbath fez muita gente prestar mais atenção nestes motoqueiros americanos. Mas o momento havia passado e a banda se dissolveu em 1972.

A coletãnea Evil Woman - The Best Of Crow não deixa dúvida de que apesar de injustiçados pela história, o Crow está entre o houve de melhor em sua época.
O som é hard-rock e blues-rock . Cru, honesto. Grande vocalista, grande banda. Rock, pra quem gosta.
A jóia Evil Woman abre o CD. Com Cottage Cheese e Slow Down, você percebe que os caras não estão pra brincadeira. Outros bons e influentes momentos são Time To Make a Turn, Busy Day, Don't Try To Lay, Yellow Dawg e uma meia-baladinha Mobile Blues.


Com o Crow não tem erro. Ouça. Alto.